Para o cigarro tudo. Para a suinocultura nada.

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Pelo jeito será preciso radicalizar para que as vozes dos suinocultores sejam ouvidas pelos nossos governantes! Há mais de um ano reivindicamos a criação de uma política de Preço Mínimo para a carne suína, mas não somos ouvidos. Neste mês quem tirou a sorte grande foi a indústria tabagista com a lei que entrou em vigor em 1º de maio em todo o país para o preço mínimo para cigarros. Sancionada em 2011, a Lei 12.546 proíbe a venda de maços por preço inferior a R$ 3.

É inacreditável que um produto responsável por mais mortes por doenças crônicas no Brasil do que média mundial tenha mais importância ao nosso governo que a cadeia de suinocultura que hoje representa mais de 1 milhão de empregos diretos.

Atualmente, o tabaco brasileiro é o 3º produto agrícola da pauta de exportações primárias brasileiras. É o 6º produto mais exportado do agronegócio brasileiro. No campo, o setor emprega 223 mil famílias de pequenos agricultores. Aí fica a pergunta: Em qual dos quesitos acima a carne suína tem menos importância para a economia do país? Somos o 4º maior país exportador e produtor de carne suína do mundo. Em Santa Catarina, a carne suína é o quinto item da pauta de exportações, com embarques de mais de US$ 500 milhões. E como já disse antes, nosso setor emprega mais de 1 milhão de pessoas!

A produção brasileira de carne suína vem se destacando no cenário econômico nacional e internacional. O setor agroindustrial suinícola, composto de grandes indústrias de capital nacional e multinacional, é alicerçado num conjunto de pequenos e médios produtores de suínos que juntos somam mais de 70% da produção total brasileira de carne suína. Este contingente de produtores, em sua maioria ligada à agroindústria através de contratos de integração, perfaz um contingente de mais de 50 mil suinocultores, o que reforça não só sua importância para a sustentabilidade do agronegócio, mas também no quadro social brasileiro.

Neste ano a ABCS mobilizou uma articulação política devidamente conectada com o tamanho e a importância social e econômica da cadeia produtiva que representamos, junto ao Poder Executivo e junto a partidos e parceiros do Congresso Nacional. Podemos citar o PL 7.416/2010, da Câmara dos Deputados, e o PL 330/2011, do Senado Federal, que estabelecem condições e obrigações e responsabilidades nas relações contratuais entre produtores integrados e agroindústrias integradoras, fundamentais para nossos suinocultores que dependem de contratos para sobreviver na atividade.

Também trabalhamos para a inclusão da carne suína na pauta de produtos amparados pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), evitando, assim, que a volatilidade do preço dos insumos possa inviabilizar a produção de suínos. A política de garantia dos preços mínimos sempre foi um dos maiores anseios da atividade.
Mas apesar da pujança dos números e dos grandes complexos agroindustriais envolvidos nesta cadeia produtiva, o produtor de suínos em si é o elo mais fraco desta cadeia, e constantemente é atingido por crises que já se tornaram cíclicas no setor. Sabemos que nestes momentos de crise, as políticas públicas de abastecimento de grãos podem fazer toda a diferença, mas ainda falta ao setor o alicerce da política de preços mínimos definida pela PGPM.

Mais uma vez estamos diante de agigantados desafios, de uma tarefa cuja importância social e econômica nem sempre é adequadamente percebida pela sociedade brasileira como um todo. E a classe política somente entenderá a nossa importância, somente nos respeitará quando conseguimos provar que representamos um movimento, um setor unificado. Mas esse posicionamento só terá validade se todos nós, líderes da suinocultura, falarmos a mesma língua. Por isso reforço a necessidade de nos unirmos. Só assim conseguiremos virar essa página de crise na suinocultura brasileira.

Autor: Marcelo Lopes – Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS)

 

 

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Atualizado em: 24 de maio de 2012