Melhoramento genético dos suínos para a produção de uma “carne magra”

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Com a aplicação de técnicas e conhecimentos de biotecnologia, pode-se contar com as melhorias de manejos nutricionais e de ambiência, com a genética clássica e, mais recentemente, também com a genética molecular, que pode detectar diretamente os genes responsáveis pela deposição de gordura e de músculo em suínos.

Esse recurso é positivo porque, apesar de a carne suína ser, atualmente, a mais consumida no mundo, no Brasil ainda permanece o mito de que ela é rica em colesterol e transmite doenças parasitárias ao homem. No entanto, considerando que, em criações modernas de suinocultura, os animais são confinados sobre pisos de cimento, o que praticamente impede-os de ingirirem ovos de Taenia solium (solitária), os problema de doenças parasitárias está resolvido.

O mito poderia então perdurar em torno do fato de a carne suína ser vista como carne gorda, mas pesquisas recentes, conduzidas pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), em Campinas, mostram que a carne suína possui níveis de colesterol semelhantes à carne bovina e à de ave. Dessa forma, a má visão brasileira em torno dessa carne pode está relacionada à espessura de tecido adiposo subcutâneo (toucinho). Portanto, o grande desafio da suinocultura atual seria então reduzir a espessura de toucinho e aumentar o rendimento de carne nas carcaças.

Estudos de genética clássica, conduzidos com progênies oriundas do cruzamento entre raças musculosas, mostram que a característica de musculosidade está ligada à susceptibilidade do suíno a apresentar rigidez muscular quando submetido ao anestésico inalatório halotano.

Os diversos trabalhos desenvolvidos nos últimos anos mostram que o gene da “carne magra”, quando em homozigose recessiva, também está ligado à predisposição dos animais a apresentarem um problema de qualidade de carne denominado P.S.E. (pale-soft and exudative), principalmente, quando são submetidos a manejos inadequados de transporte e pré-abate, afetando a cor, a textura e a capacidade de retenção de água desta carne, causando sérios prejuízos à indústria de embutidos.

Além disso, o gene da “carne magra” também está correlacionado, negativamente, com a performance reprodutiva das fêmeas suínas. A melhor estratégia para a suinocultura brasileira com relação a esse gene é a manutenção deste nas raças onde sua frequência é bastante alta, utilizando essas raças como “raças-pai”, buscando implementar um incremento na taxa de crescimento e ganho de peso em carne magra e, ao mesmo tempo, eliminar completamente o gene das “raças-mãe”, beneficiando-se da complementariedade entre essas raças e explorando os híbridos provenientes do cruzamento entre elas.

Para isso, a biotecnologia pode exercer importante papel, ajudando a detectar os animais adequados a permanecerem nos plantéis. A utilização dessa técnica para detectar os animais aptos a produzirem mais carne, e, portanto, mais lucrativos e que produzam menos P.S.E., é um bom exemplo do quanto a biotecnologia pode revolucionar o mundo, influenciando o modo de agir, pensar, comprar, trabalhar e alimentar-se, da humanidade e proporcionando uma evolução assustadora, que poderá garantir a todos a lucratividade.

Como garantir a sustentabilidade e desenvolvimento na produção de suínos?

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Qual a situação da produção brasileira de carne suína?

Fonte: Engormix

Adaptação: Portal Suínos e Aves

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Atualizado em: 2 de maio de 2014