Abate humanitário é cada vez mais usado na produção de suinos e aves

A carga é pesada, mas delicada. Afonso Roque, que faz transporte de suínos há 16 anos, sempre soube disso. Mas foi depois de um curso sobre bem-estar animal que ele passou a pisar mais leve. "Tem que ter cuidado senão amontoa os porcos", diz.

Afonso Roque faz parte de um grupo de quase duas mil pessoas que já receberam treinamento do Steps, o Programa Nacional de Abate Humanitário da WSPA, a Sociedade Mundial de Proteção Animal, em parceria com o Ministério da Agricultura.

A adesão aos princípios do abate humanitário não é obrigatória, mas o comércio internacional está ficando cada vez mais exigente quanto às regras de bem-estar animal. A União Europeia, por exemplo, anunciou que a partir de 2012 vai deixar de importar carne de produtores que não respeitarem as normas.

O Steps já passou pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Além de motoristas como Afonso, vários profissionais ligados à área de produção da carne podem participar.

Desde 2008, uma instrução normativa do Ministério da Agricultura estabelece procedimentos de boas práticas de bem-estar para animais de produção.

As normas do abate humanitário começam ainda na granja. No caso das aves, que são animais muito delicados, a apanha é uma das etapas mais importantes do programa de bem-estar, tanto que na região nem os produtores participam do embarque dos animais. Ele é feito por equipes treinadas especialmente para isso.

As equipes são contratadas pelos frigoríficos, que perceberam que o momento de tirar os frangos da granja é fundamental para garantir a qualidade da carne.

"A maneira correta de colocar o frango dentro da caixa é pegar um por vez, pelo dorso, sobre as asas e colocá-lo de frente para o fundo da gaiola para ele não retornar para fora. Não pode pegar pela asa, pelo pescoço, pelas pernas porque aí causa hematoma e quando ele chega na indústria, pode haver problema na qualidade da carcaça", explica Valdemir Viceli, técnico em agropecuária.

As aves são embarcadas com cuidado em caixas que devem permanecer fechadas durante todo o trajeto para evitar que elas tentem fugir no caminho. De acordo com os princípios do bem-estar animal, a espera entre a chegada e o abate deve ser de no máximo uma hora. Por isso, os frigoríficos devem ter uma área de descanso: um local fresco e ventilado, com controle de temperatura e umidade.

Em um frigorífico, a sala de abate das aves tem luz azul, fraca, para tornar o ambiente mais calmo. A linha de pendura é automatizada e o método de insensibilização é o de cubas elétricas.

A ave leva um choque, para perder a consciência e não sentir dor na hora da degola. Elas são penduradas pelas pernas, ainda conscientes em ganchos de metal, e são mergulhadas em uma cuba com água por onde passa uma corrente elétrica. O choque causa um efeito temporário de inconsciência e insensibilidade à dor. A morte será causada pela sangria e não pelo choque.

Para a indústria, é vantagem que o bem-estar seja cumprido. Animal que leva pancada ou tem a asa quebrada significa prejuízo.

O programa do Steps para suínos tem os mesmos conceitos e o bom manejo até a sala de abate é muito enfatizado.

A rampa de descida deve ter uma inclinação de no máximo 15 graus e as laterais precisam ser cobertas para o animal não se distrair.

Para convencer os animais a descer do caminhão, os funcionários usam ar comprimido. O barulho assusta e os porcos andam. Para conduzi-los até as baias, tábuas de plásticos ou cortinas bloqueiam a visão do animal. O piso tem que ser antiderrapante e as pessoas que lidam com os animais precisam ter tranquilidade.

Essas mudanças de lugar, da granja para o caminhão, para o frigorífico, costumam ser muito estressantes para os porcos. Por isso, eles precisam de descanso, em área apropriada, com espaço, temperatura controlada, água à vontade e subdivisões nas baias.

A insensibilização dos porcos é parecida com a das aves. Mas sem água. O animal recebe uma corrente elétrica através de dois eletrodos na cabeça e um na altura do coração. O equipamento deve estar sempre ajustado para evitar falhas e um funcionário observa animal por animal para ver se ele realmente foi insensibilizado. Se o sistema não tiver funcionado, é preciso usar um sistema manual. Um inspetor do Ministério da Agricultura acompanha o trabalho para ver se as normas de bem-estar estão sendo cumpridas.

O gerente geral de um frigorífico em Seara, Santa Catarina, diz que o consumidor já consegue identificar uma carne produzida segundo as normas de bem-estar animal. "As agroindústrias precisam se adequar para dar qualidade à carne e conseguir entregar um produto que o mercado externo exige, não esquecendo o mercado interno que é uma fatia de mercado muito importante", diz Lery Cosmann.

A veterinária Charli Ludke, coordenadora do Steps, explica que o programa de abate humanitário também está acontecendo na China e que os recursos para o treinamento vêm através de doações.

Fonte: G1

Adaptação: Portal Suinos e Aves

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